25 de mai de 2010

Conheça para que serve as pistas sonar 8

PISTA MIDI




Para que você possa entender a interface da pista MIDI em sua plenitude, tomarei como base o uso de equipamentos EXTERNOS, como teclados sintetizadores, módulos de som, etc. O motivo é simples: em equipamentos externos, todos os controles de seleção de banco, instrumento, efeitos, etc são feitos dentro da pista MIDI do Sonar. Em um plug-in (soft synth), dependendo da sua natureza, a escolha dos sons e efeitos pode ser feita através da pista midi ou diretamente na janela do plug-in, dificultando o entendimento neste momento, já que cada plug-in possui características diferentes. O que vale é entender o que pode ser feito através da pista midi, para que quando for necessário usar esses recursos diretamente em algum plug-in o processo se tornar mais intuitivo.



Observe a imagem 1. Nela, separei por cores as funcionalidades da pista MIDI.





Imagem 01

Em cinza estão os controles de volume, posicionamento e dinâmica da execução. Em laranja estão os todos os parâmetros para escolha do instrumento ou som desejado.



Em amarelo estão os controles adicionais como efeitos, alteração de tom e deslocamento no tempo.



1) VOLUME



Este campo é destinado ao volume inicial de cada canal MIDI. Neste campo você regula o volume do instrumento para o canal MIDI em questão.

Veja adiante o que é canal MIDI e os cuidados que se deve ter ao estipular este parâmetro.



Para alterar este parâmetro basta clicar com o botão esquerdo do mouse em cima dele, manter o botão pressionado e arrastar para um lado ou para o outro. Quando definir o volume, solte o botão do mouse.



Aperte a tecla SHIFT para aumentar o nível de precisão do movimento. Solte para movimentos mais amplos.





2) PAN (PANORÂMICO)



Este é o controle conhecido como PAN. Ele é responsável pelo posicionamento do som no campo estéreo, ou seja, você pode posicionar o som todo na esquerda, na direita ou em qualquer lugar entre os dois extremos. O padrão do Sonar é o centro (0% C). Para alterar este parâmetro basta clicar com o botão esquerdo do mouse em cima dele, manter o botão pressionado e arrastar para um lado ou para o outro. Quando definir o posicionamento, solte o botão do mouse.



Assim como no volume, aperte a tecla SHIFT para aumentar o nível de precisão do movimento.



3) VELOCITY (INSTENSIDADE DO TOQUE)

Este é o campo que permite alterar a forma de tocar do músico. Movendo o controle para a direita faz com que pareça que o músico tocou mais forte do que foi gravado, assim como mover o controle para a esquerda faz com que a gravação seja tocada mais fraca do que o original.

O nome velocity significa velocidade em inglês. Repare que quando você pressiona as teclas do teclado musical de forma leve, as teclas se abaixam lentamente. Quando se toca de forma mais vigorosa, mais forte, as teclas se abaixam mais rapidamente. Foi pensando nesta velocidade que definiram o nome para este controle. Quanto mais fraco um músico tocar, menor o velocity. Quanto mais forte o músico tocar, maior o velocity. Se você gravou muito forte e gostaria de ter tocado mais fraco, diminua o velocity deste campo. Lembre-se de que ele afetará tudo o que foi gravado nesta pista MIDI. É possível alterar o velocity de notas individuais ou trechos gravados, mas isto veremos em outra edição.



Muitas pessoas costumam confundir velocity com volume, já que ele ocupa o lugar do campo TRIM da pista de áudio, que é equivalente ao controle de “ganho” de sinal (volume) de uma mesa de áudio. Fazer com que um músico toque mais fraco não altera apenas o volume do som, mas também o som que sai do instrumento. Se você encosta a baqueta na caixa (tarol) da bateria, o som sairá fraco e com características deste toque fraco. Quando o baterista bate a baqueta com firmeza na caixa o som que ouvimos é completamente diferente, embora também seja mais alto. Quando usamos geradores de sons bons e “modernos”, é possível perceber a diferença do timbre do som ao se apertar fraco e forte no teclado. A isso damos o nome de multi-layer, ou seja, múltiplas camadas. Isto quer dizer que em uma mesma tecla, o gerador é capaz de disparar sons diferentes, de acordo com a intensidade do toque.



Lembre-se de apertar a tecla SHIFT caso queira aumentar a precisão do movimento.



4) INPUT QUANTIZE



Esta opção podia estar junto com as demais na parte inferior da imagem, por isso a cor amarela do número 4 na imagem.



A função Quantize é muito comum na edição MIDI e está disponível desde as primeiras versões do Cakewalk (antigo no nome do Sonar), direto do túnel do tempo. Ela é responsável pelo ajuste da execução do músico em relação ao tempo, ou seja: se o músico saiu do tempo ou foi impreciso em algum momento, o quantize coloca a gravação no lugar certo.



Não me lembro ao certo em qual versão do Sonar implementaram o Input Quantize (6 ou 7). Ele é responsável pela correção na hora da gravação. O músico grava com seus “acertos e deslizes” e o Sonar registra aquela gravação já com as notas erradas no lugar.



Para habilitar esta opção é preciso clicar no quadrado ao lado direito do ícone da função. Quando o quadrado estiver verde, a opção de correção estará funcionando.



Clicando na seta para baixo (à direita do número 4), aparecerá uma lista com as subdivisões do compasso. É preciso definir a subdivisão do compasso de acordo com o que será gravado. Apenas lembrando: Whole = 1 compasso; Half = ½ compasso; Quarter = ¼ compasso, etc.

Repare que na parte inferior da lista, existe a opção “Quantize Settings...”. O padrão da correção automática é ajustar as notas erradas 100% para o lugar certo.



Se quiser uma correção mais humana, altere o valor de Strength para qualquer valor menor que 100%. 100% significa que a nota andou 100% da distância entre o lugar errado e o lugar correto. 50% significa que a nota ficou no meio do caminho, entre o que foi tocado e o que deveria ser 100% correto no tempo.



5) MIDI INPUT (ENTRADA MIDI)



Como vimos nas edições anteriores, é neste campo que você define de onde vem a gravação MIDI. Se você tiver mais de um teclado para a gravação MIDI, deverá escolher neste campo de onde vem o sinal MIDI para a gravação desta pista. A configuração das entradas e saídas MIDI disponíveis é feita através do menu OPTIONS / MIDI DEVICES, conforme já foi visto nas edições passadas.





Imagem 02

Dentre as opções, você verá referência a MIDI OMNI e logo abaixo MIDI Ch.1, MIDI Ch2... até o MIDI Ch16. Quando selecionamos MIDI OMNI, estamos dizendo ao Sonar para reconhecer as informações MIDI enviadas através de qualquer canal MIDI. Se você tiver alguma dúvida sobre isto, deixe sempre a opção em OMNI.



Se você souber o que está fazendo, configure em qual canal você gostaria de receber a informação deste canal MIDI.



Exemplo real: Alguns teclados possuem ritmos completos ou programações internas que podem ser disparadas por seu sequenciador interno. Quando queremos gravar estas informações MIDI no Sonar, podemos abrir uma pista MIDI, ajustar o tempo do projeto com o tempo da gravação e gravar o sinal MIDI que vem do teclado nesta pista.



Neste caso, se a entrada da pista MIDI estava em OMNI, esta pista captou todos os instrumentos do arranjo. Bateria, baixo, teclados, tudo junto.



Para separar estas informações, será um trabalho bastante desanimador.



Para que possamos realizar esta tarefa com sucesso, o correto é o seguinte procedimento:



a) Inserir o número de pistas referentes ao número de instrumentos do arranjo. Ex: Se na música existem 5 instrumentos, inserimos 5 pistas MIDI (não há necessidade de inserir todas as 16 pistas que a conexão MIDI oferece.



b) Alterar o input de cada pista MIDI para MIDI Ch. 1, MIDI Ch. 2, MIDI Ch. 3, MIDI Ch. 4 e MIDI Ch. 5. Desta forma, cada pista receberá informações de um canal diferente, logo, instrumentos diferentes.



c) Ajustar o tempo do projeto do Sonar com o tempo do MIDI do teclado.



d) Apertar a tecla R do teclado para acionar a gravação do Sonar e disparar o teclado no início de algum compasso.



Lembre-se de acionar o metrônomo para se guiar no tempo da música. Para isto, vá ao menu OPTIONS / PROJECT e selecione a aba METRONOME.



Veja a imagem 2 e observe as configurações de Output dentro de Audio metronome e na área General, as configurações para audição do metrônomo em playback ou só na gravação.



6) MIDI OUTPUT (SAÍDA MIDI)



A saída da pista midi define para onde irá seu sinal para que possamos ouvir algum som, ou seja, qual será o gerador de sons desta pista. Na edição passada, vimos exaustivamente estas configurações, incluindo geradores de som externos e internos. Escolha na lista de opções o gerador de sons desejado, de acordo com as configurações feitas na edição anterior.



7) CHANNEL (CANAL MIDI)



Cada conexão MIDI existente permite o uso de 16 canais. Cada canal possui configurações próprias de volume, pan, bank e patch, ou seja, para cada canal, teremos um único instrumento, volume e pan.





Imagem 03

Se precisamos fazer um arranjo com 5 instrumentos diferentes, necessariamente precisamos de 5 pistas MIDI, cada uma delas em um canal diferente (1, 2, 3, 4 e 5). É possível a coexistência de 2 pistas usando o mesmo canal. O que você deve ter em mente é que as duas pistas deverão ter o mesmo volume e o mesmo instrumento. Se por algum motivo você se distrair e alterar o volume da segunda pista, estará afetando também o volume da primeira. Se alterar o som do instrumento (patch) da segunda, irá alterar também o som do instrumento da primeira. Lembre-se de que quem define os parâmetros é sempre a pista de maior número, ou seja, aquela que está na parte inferior da tela (as pistas são numeradas de cima para baixo).



Sempre que começar um arranjo, comece pelo canal 1 e vá aumentando o número de canais de acordo com o número de instrumentos.

Quer um exemplo de quando você poderá usar duas pistas em um mesmo canal? Imagine duas pistas, idênticas, com um som de piano escolhido. Em uma delas você grava a mão esquerda e na outra você grava a mão direita. Agora imagine que você quer aumentar o velocity da mão esquerda. Simples. Basta ir ao velocity da pista que você gravou a mão esquerda e deslizar o controle para direita.



Você tem duas pistas compartilhando o mesmo canal MIDI. Mesmo instrumento (lê-se mesmo bank e mesmo Patch), mesmo volume e mesmo pan. O único ajuste independente nesta situação é o velocity.



Na próxima edição veremos o processo de escolha dos sons, além das demais opções existentes nas pistas MIDI. Aos que não querem esperar e gostam de experimentar, observem a representação gráfica que preparei para melhor entendimento das conexões e configurações. Na próxima edição veremos esse gráfico mais a fundo e daremos continuidade aos assuntos.



Muitíssimo obrigado a todos pelo carinho e atenção. Grande abraço e até a próxima edição!






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